Palestras

PALESTRAS

Some theoretical and methodological reflections on the application of topic theory to Latin American Art Music

Dr. Melanie Plesch (The University of Melbourne)

In this presentation I advance a series of observations and reflections emerging from more than twenty years of application of the so-called topic theory or theory of musical topics to Latin American art music. Without claiming to be exhaustive, I offer a brief overview of its history, focusing on its achievements, limitations and challenges.

I examine in detail two effects of the application of the theory that I consider crucial. First, that the reconceptualization of folk idioms it affords results in their de-trivialisation; second, that a topically-aware analysis, by uncovering the compelling presence of European topics in the musical rhetoric of local composers, contributes to breaking down stereotypes of Latin American identity.

Latin American music, for its part, exposes some grey areas of the theory, especially the lack of consensus on what constitutes a topic, and how to conceptualise different levels of topical abstraction. All these points are illustrated with analyses of works by Argentine composers such as Julián Aguirre, Carlos Guastavino, and Alberto Ginastera, among others.

The presentation will be delivered in Spanish.

Melanie Plesch is an Associate Professor of Musicology at the University of Melbourne. Her work focuses on 19th- and 20th-century Argentine art music and its intersections with vernacular and popular music, literature and the visual arts. She has done extensive research on the construction of meaning in Argentine art music through a musicological practice that combines topic theory, cultural history and ethnohistory. She is the author of the study and facsimile editions of early Argentine sources such as the 1837 periodical Boletín Musical and Fernando Cruz Cordero’s 1844 treatise Discurso sobre música; is co-editor, with Silvina Mansilla, of Nuevos estudios sobre música argentina, and editor of Analizar, interpretar, hacer música: de las Cantigas de Santa María a la organología. Escritos in memoriam Gerardo Huseby. The recipient of various international research grants, in 2015 she held a Research Visitorship at the University of Oxford as part of the Balzan Project “Towards a Global History of Music”, directed by Reinhard Strohm. Her research appears in prestigious journals such as Acta Musicologica, Patterns of Prejudice, and the Musical Quarterly, among others. She recently edited a dossier on topic theory and Latin American art music for the Portuguese Journal of Musicology. She is working on a long-term research project on musical topics in Argentine art music.


Villa-Lobos e a herança do estilo culto nas Bachianas Brasileiras

Norton Dudeque

Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Resumo: Esta palestra aborda as fugas nas Bachianas Brasileiras de Heitor Villa-Lobos. Ao reconhecer a leitura do tratado de composição musical de D’Indy, Villa-Lobos também confirma seu conhecimento das diretrizes e prática da composição de fugas como instruídas por D ‘Indy. Evidências adicionais que corroboram esta afirmação são as descrições destas obras escritas por Villa-Lobos em 1947 e publicadas pelo Museu Villa-Lobos em 1972. Nestas descrições o compositor se refere a fuga escolástica e como ele adere ou transgride à estas instruções de composição. Em todas as fugas, os componentes estruturais de uma fugue d’école são funcionais e representam a habilidade adquirida pelo compositor. Villa-Lobos nos mostra sua habilidade, sua maestria em composição de fugas, e sua herança, embora longínqua, do estilo culto. A mistura destas características, alusões estilísticas à música de J. S. Bach, e à ambientação de música brasileira caracterizam estas ‘fugas neoclássicas nacionalistas”.

Palavras-chave: Villa-Lobos; Bachianas Brasileiras; fuga; fugue d’école; música brasileira

Abstract: This lecture is concerned with Villa-Lobos’s fugues in Bachianas Brasileiras. By acknowledging his reading of D’Indy’s composition treatise Villa-Lobos also recognizes his knowledge of rules and practices of fugue composition as instructed by D’Indy. Further evidence may be corroborated by Villa-Lobos’s own description of these works in 1947 and published by Villa-Lobos Museum in 1972. In these descriptions the composer refers to fugue d’école and how he adheres or how he transgresses these composition instructions. In all the fugues examined the structural components of a fugue d’école are functional and represent a learned skill by the composer. Villa-Lobos shows us his ability, his craftmanship in fugue composition, and his chronologically distant inheritance of the learned style. The amalgamation of these characteristics, stylistic allusions to the music of J. S. Bach, and of Brazilian music moods characterize these “nationalistic neoclassical fugues”.

Keywords: Villa-Lobos; Bachianas Brasileiras; fugue; fugue d’école; Brazilian music

Norton Dudeque. Professor associado do Departamento de Artes da UFPR. Realizou doutorado (Ph.D.) na University of Reading na Grã-Bretanha sob a orientação de Jonathan Dunsby. Mestrado em musicologia na USP e em performance na University of Western Ontario, Canadá. Realizou pós-doutorado no Kings College em Londres.

Áreas de atuação incluem história da teoria musical, teoria e análise musical, música brasileira do século XIX ao início do século XX. Desenvolve pesquisas nas seguintes temáticas: A música de Alberto Nepomuceno; As Bachianas Brasileiras de Villa-Lobos: contexto, história e análise; e os poemas sinfônicos de Leopoldo Miguéz.

Publicações incluem artigos em periódicos nacionais e internacionais e livros no Brasil e Inglaterra. É autor de Music Theory and Analysis in the writings of Arnold Schoenberg (1874-1951) publicado por Ashgate (Grã-Bretanha) em 2005, reimpressão em 2016 (Routledge). Traduziu Análise Musical na Teoria e na Prática de Jonathan Dunsby e Arnold Whittall (Editora da UFPR, 2011) e organizou com Paulo de Tarso Salles (USP) Villa-Lobos, um compêndio (Editora da UFPR, 2017).

 


O conjunto de violoncelos – traçando a evolução de um gênero

Prof. Dr. Lars Hoefs

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

larshoefs@hotmail.com

 

 

 

Prof. Dr. Robert Suetholz

Universidade de São Paulo (USP-SP)

suetholz@usp.br

Resumo: Quando Villa-Lobos compôs a Bachianas Brasileiras no. 1, a Bachianas Brasileiras no. 5 (com soprano), e a Fantasia Concertante, ele estruturou para ‘orquestra de violoncelos’. Assim sendo, Villa-Lobos estabeleceu um novo gênero, o do conjunto de violoncelos[1], um gênero que tem crescido desde então, se popularizando em todo o mundo. Hoje, atividades envolvendo conjunto de violoncelos são comuns e frequentes, e diversas músicas estão sendo originalmente compostas, a cada ano, para sua formação. Neste trabalho, examinaremos a evolução do gênero de conjunto de violoncelos a partir de seus ancestrais e algumas obras-chave de Rossini, Davidov, Klengel e Casals; seu estabelecimento através de Villa-Lobos e seus três trabalhos canônicos essenciais; e múltiplas consequências advindas do mundo inteiro.

Palavras-chave: Villa-Lobos. Violoncelo. Orquestra de violoncelos. Conjunto de violoncelos.

Abstract: When Villa-Lobos composed Bachianas Brasileiras no. 1, Bachianas Brasileiras no. 5 (with soprano), and the Fantasia Concertante, he scored these works for ‘orquestra de violoncelos’. In so doing Villa- Lobos established a new genre, that of the cello ensemble, a genre that has since taken off and exploded throughout the world. Today, cello ensemble activity is commonplace and frequent, and much original music is being composed every year for the formation. In this paper we will examine the evolution of the cello ensemble genre beginning with its ancestors and a few key works by Rossini, Davidov, Klengel and Casals; its establishment through Villa-Lobos and his three essential canonical works; and subsequent manifold outgrowths the world over.

Keywords: Villa-Lobos. Cello. Cello orchestra. Cello ensemble.

[1] Em geral, conhecido como ‘cello ensemble’ na Europa e na América do Norte.

Lars Hoefs. O violoncelista norte-americano Lars Hoefs, professor de violoncelo e História da Música na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), desempenha e ensina na América do Sul, nos Estados Unidos e na Europa. 2018 incluiu concertos e cursos no Chile, França, Irlanda, Espanha, Alemanha, e no University of Anchorage, Alaska, bem como apresentações solos com orquestras brasileiras. Ele publicou recentemente um artigo na revista The Strad sobre a história do cello ensemble. Lars estabeleceu-se como um dos principais especialistas no repertório de violoncelo do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos e foi o primeiro violoncelista a realizar juntos em um programa as obras completas para cello e orquestra de Villa-Lobos. Lars é diretor artístico do Villa-Lobos International Chamber Music Festival no sul da Califórnia, o único festival dedicado à música de câmara latino-americana nos Estados Unidos. O festival vai realizar sua quinta edição em janeiro. Lars também promove ativamente a música brasileira contemporânea, estreando e gravando obras dos compositores Liduino Pitombeira, João Guilherme Ripper, Paulo Costa Lima e Paulo C. Chagas, entre outros. Como solista no Brasil, nos últimos anos, Lars realizou concertos de Haydn, Schumann, Saint-Saëns, Lalo, Tchaikovsky, Dvořák, Elgar e Villa-Lobos. Notavelmente, Lars deu a estreia sul-americana do Concerto para violoncelo da Korngold, além de desempenhar o papel principal no Don Quixote de Richard Strauss com o Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. Em 2009, Lars passou o ano como co-principal violoncelista da Orquestra Sinfônica Brasileira. Nascido em Appleton, Wisconsin, Lars obteve seu diploma de ensino médio na North Carolina School of the Arts, um Bacharelado da Northwestern University estudando com Hans Jorgen Jensen, e ambos os cursos de mestrado e doutorado da University of Southern California, em Los Angeles, onde estudou com o ex-spalla da Los Angeles Philharmonic, Ronald Leonard. Na Universidade Estadual de Campinas, Lars fundou e lidera o Unicamp Cello Ensemble, uma orquestra de violoncelos sem regente composta por seus atuais e antigos estudantes de violoncelo. O Unicamp Cello Ensemble atuou nos mais prestigiados festivais e salas de concerto do Brasil, incluindo o Festival de Música de Inverno de Campos do Jordão, o Rio International Cello Encounters e o Centro Cultural de São Paulo para citar alguns. Em 2016, gravaram um CD de estreias mundiais, com o Divertimento de Lalo Schifrin, e realizarem turnê pelo estado de São Paulo. Recentemente o Unicamp Cello Ensemble apresentou vários concertos na Califórnia, colaborando com cellistas para música de cinema em Hollywood e o Los Angeles Philharmonic.

Robert Suetholz. Natural de Milwaukee, Wisconsin, EUA. Trabalhou sob orientação de George Sopkin, membro-fundador do Quarteto Fine Arts, seu sucessor Wolfgang Laufer, e Uzi Wiesel, ex-violoncelista do Quarteto de Cordas de Tel-Aviv, Israel. Obteve seu Mestrado em Violoncelo em 1998, sob a orientação de Hans Jørgen Jensen, da Universidade de Northwestern, em Chicago (EUA) e seu Doutorado em Música pela USP em 2011. Atuou em várias orquestras internacionais, como a Israel Sinfonietta (spalla dos violoncelos) e a Orquestra Sinfônica de Milwaukee (EUA), entre outras. Residindo no Brasil desde 1985, foi spalla dos violoncelos das orquestras sinfônicas da USP, do Estado de São Paulo e da Sinfonia Cultura – Orquestra da Rádio e TV Cultura. Foi violoncelista do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo durante 25 anos, se desligando deste no final de 2016. É professor de violoncelo no Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da USP desde 1989. Em 2015, lançou o livro Técnicas de reeducação corporal e a prática do violoncelo e em 2018, em parceria com Luiz Amato, a tradução do livro de Leopold Auer intitulado O violino segundo meus princípios, ambos pela Editora Prismas.


Choros n. 4 de Heitor Villa-Lobos: uma contextualização estrutural

Dr. Joel Albuquerque (FAMOSP)

Joel Albuquerque. Doutor em Teoria e Análise Musical pelo Programa de Pós-Graduação em Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (PPGMUS/ECA/USP) e Mestre em Processos de Criação Musical pela mesma instituição. Bacharel em Trompa pela Faculdade Mozarteum de São Paulo (FAMOSP). Especialista em Gestão em Projetos Culturais e Organização de Eventos pelo Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (CELACC/ECA/USP). É professor de Trompa e Teoria Musical na Organização de Cultura, Educação e Assistência Social Santa Marcelina, Conservatório e Curso Técnico em Música da ACARTE (UNASP) e Escola de Música de Embu das Artes. Iniciou seus estudos musicais na ONG Músicos do Futuro (antiga Banda Marcial de Taboão da Serra), seguindo para a Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP; antiga ULM), onde estudou com o trompista Nikolay Alipiev (OSESP). Foi professor de Teoria Musical e orientador de trabalhos de conclusão de curso (TCC) do bacharelado da Faculdade Mozarteum de São Paulo (FAMOSP). Publicou diversos artigos no campo da Análise e Teoria Musical em Simpósios e Encontros de Musicologia no Brasil e na Europa (Portugal). Foi trompista de importantes grupos sinfônicos como a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo e Orquestra Jovem de Guarulhos. Participou de vários festivais com destaque para o Festival de Música de Santa Catarina (FEMUSC), Semana da Música de Ouro Branco (MG) e Festival de Música de Campos do Jordão (SP). Também é compositor/arranjador e produtor cultural.


 

Indianismo e paisagem: o Uirapuru, de Heitor Villa-Lobos

Dra. Maria Alice Volpe (UFRJ/ABM)

Maria Alice Volpe. Docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutora em Musicologia/Etnomusicologia pela University of Texas-Austin, EUA. Mestre em Música pela UNESP. Tem colaborado em diversas publicações nacionais e internacionais. Conferencista convidada do Real Gabinete Português de Leitura; Fundação Casa de Rui Barbosa; Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro; Universidade de São Paulo; Universidade Nova de Lisboa; Universidade de Coimbra; King’s College de Londres; Ibermúsicas-México; Universitá di Bologna; Fundação Calouste Gulbenkian; Festival Villa-Lobos. Professor associado, Editora-Chefe da Revista Brasileira de Música, e Coordenadora da Linha de Pesquisa História e Documentação da Música Brasileira e Ibero-americana, Programa de Pós-graduação em Música, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Centro de Letras e Artes, Escola de Música, Departamento de Musicologia e Educação Musical, Programa de Pós-graduação em Música; Membro eleito da Academia Brasileira de Música.