Mesas temáticas

Mesa 1 – Villa-Lobos e sonoridades indígenas brasileiras: antropofagia, criação e memória


Pedro Paulo Salles

Magda Pucci

Marlui Miranda

Do fundo das águas para o fogo: a origem aquática de Nozani-ná e o incêndio do Museu Nacional

Pedro Paulo Salles[1]

A transcrição do canto indígena conhecido como “Nozani-ná” utilizada por Villa-Lobos em diversas obras musicais, foi feita pelo músico João Astolpho Tavares a partir da gravação em cilindro de cera de carnaúba, feita por Edgard Roquette-Pinto em 1912, no posto indígena Utiarity (MT). Conforme as narrativas do povo Paresi Haliti, a origem desse canto xamânico é o fundo das águas fluviais, de onde veio a flauta Walalo, um presente do povo-da-água aos humanos. Ocorre que o cilindro com a gravação, quebrado há anos, ainda estava depositado no Museu Nacional do Rio de Janeiro quando houve o trágico incêndio ocorrido na noite de 2 de setembro deste ano de 2018, e infelizmente as chamas o consumiram. Antes disso, ainda era alvo da esperança de que seus cacos contivessem preservados fragmentos melódicos da canção original, que poderiam ser reconstituídos por meio de escaneamento digital em 3D e voltar a soar, a fim de cotejá-los com a transcrição. Descreverei brevemente o malfadado projeto de reconstituição do cilindro e discutirei as questões que o trabalho de Astolpho Tavares levanta no âmbito das transcrições, entendidas tanto como “domesticação” da música indígena, quanto como transformação, inscrição de sentido e difusão. Tratarei também da origem aquática deste canto e do repertório musical ao qual ele pertence em seu contexto nativo, possibilitando cotejamentos oblíquos de sua transcrição com outras músicas pertencentes ainda hoje aos Iyamaka zerane, ou ‘cantos de flauta’.

Villa-Lobos e algumas leituras sobre o uso de temas indígenas em suas obras

Magda Pucci[2]

O uso de temas indígenas por Villa-Lobos em diversas obras é alvo de controvérsias e diferentes interpretações. Ora é visto como uma oportunidade de soar “exótico” aos olhos europeus, figurando um ‘desbravador de culturas primitivas’, ora é visto como um compositor arrojado que deglutia tudo ao seu redor numa atitude tipicamente modernista. Etnomusicólogos, hoje, talvez o acusassem de ‘usurpador’ – um caso de apropriação indevida -, segundo os critérios de direitos autorais contemporâneos por se apropriar de melodias e motivos rítmico-melódicos de coletivos indígenas, nem sempre dando os devidos créditos. Talvez não alcançassem a dimensão de seus atos de antropofagia cultural e o que eles impulsionaram. O fato é que Villa-Lobos revela, em sua obra, elementos contraditórios e criativos que nem sempre são passíveis de análises binárias muito menos entendidos sob um único ponto de vista. Uma de suas complexidades, como compositor brasileiro, se dá exatamente nessa junção entre a sua música e a música do outro.

Villa-Lobos, o Índio de Casaca, L´Indien Blanc.

Marlui Nóbrega Miranda[3]

Villa-Lobos alimentou a música brasileira em pelo menos em três vertentes distintas: na popular, fez a releitura do choro, no folclore buscou os temas afro-brasileiros, e ainda retratou a Amazônia como continente musical habitado e não como um vazio cultural, vislumbrando grandiosas ideias musicais e inspirações. Um dos maiores compositores do século XX, Heitor Villa-Lobos ainda cedeu parte de seu tempo de compositor para se dedicar à educação musical, tornando-se talvez a figura mais importante no cenário brasileiro dessa área. Além disso, foi um etnólogo, à sua moda, em seu tempo, estimulando uma postura respeitosa e inclusiva à diversidade musical que existe no Brasil. A utilização de referências da música indígena o elevou ao patamar de compositor brasileiro internacionalmente reconhecido: o “Índio de Casaca”; “L’Indien Blanc”! Villa-Lobos desembarcou “nacionalista” no mundo da haute musique, na França do início do século XX, mesmo período em que Bartók e Kodály pesquisavam, transcreviam e adaptavam melodias populares húngaras e romenas. Diante disso, à luz de sua obra, vou oferecer uma releitura de uma das peças que valorizam o ciclo Chansons Typiques Brésiliennes, o arranjo que fiz do canto paresi “Nozani-ná” em 1989, para voz e violão, que veio a ser gravado no ano seguinte por Milton Nascimento em seu album “Txai” – o mesmo canto paresi que Villa-Lobos adaptou – e refletir sobre as circunstâncias que nos aproximaram da obra de Villa-Lobos.


Mesa 2 – Trenzinho Caipira na Floresta Amazônica: Villa-Lobos na cultura midiática


Heloísa de A. Duarte Valente

Marcos Júlio Sergl

Rafael Righini

Raphael F. Lopes Farias

Yuri Behr

Esta mesa-redonda, proposta por integrantes do grupo de pesquisas MusiMid, pretende abordar aspectos relativos à obra de Villa-Lobos sob uma perspectiva semiótica, tendo como enfoque temático elementos do imaginário; ideário sobre a modernidade, bem como suas inter-relações com a cultura midiática (cinema, teledramaturgia, registros fonográficos etc.). Para tanto, serão referências autores como: Murray Schafer, Paul Zumthor, Michel Chion, Charles Pierce, Philip Tagg e Norval Baitello.

Tópicos tropicais: algumas derivações possíveis abordagens sobre a teoria das tópicas, pela obra de Villa-Lobos (uma abordagem semiótica)

Heloísa de A. Duarte Valente

Se a música “não quer dizer nada”, como preconizou Stravinsky, é intenção do(s) seu(s) compositor(es) e ouvintes que ela esteja sempre arraigada de implicações semânticas. Não pretendendo adentrar em uma extensa discussão teórica sobre o tema, limitamo-nos, para fins deste estudo, a abordar alguns processos de formulação de uma semântica pela analogia. Para tanto, servimo-nos das categorias de Charles S. Peirce, a musemática de Philip Tagg e os estudos de Norval Baitello sobre iconofagia, partir dos exemplos do Prelúdio (da Bachiana nº 4); as partes corais masculinas da Floresta do Amazonas (Abertura; Caçadores de cabeças), O Trenzinho do Caipira (da Bachiana nº 2).

Palavras-chave: Semiótica musical. Peirce: categorias. Tagg: musemas. Baitello: iconofagia.

A música cantada indígena e o universo composicional de Heitor Villa-Lobos

Marcos Júlio Sergl

Estudo a respeito do aproveitamento de melodias, ritmos, efeitos sonoros, da fonética e da ambiência indígena, por Heitor Villa-Lobos, sob a ótica dos conceitos de Murray Schafer sobre a paisagem sonora (1991; 2001) e de Paul Zumthor (2000) e Richard Bauman (1977) sobre a performance, inseridos no universo composicional de Villa-Lobos. Para tanto, utilizamos como metodologia a observação e a análise de partituras e a audição de obras icônicas desse contexto, como a Floresta do Amazonas”, Choros nº 3, Sinfonia nº 12 (Uirapuru), Mandu-Çarará, Canide Ioune-Sabath, Lendas Ameríndias em Nhengatu” e Sinfonia nº 10 (Ameríndia). Paralelamente, valemo-nos de pesquisas dedicadas ao universo de Villa-Lobos em relação à temática indígena, para atingir o objetivo de definir quais são os elementos sonoro-vocais e as técnicas de emissão onomatopaicas utilizadas pelo compositor para recriar a ambiência do universo musical indígena, dentro de suas propostas da paisagem sonora implícita nesse universo.

Palavras-chave:  Schafer: paisagem sonora; Performance. Zumthor. Bauman.

Referências

BAUMAN, Richard. Verbal Art as Performance. Illinois: Waveland Press, 1977.

FELICÍSSIMO, Rodrigo Passos. Uirapuru: a lenda do pássaro encantado, de Heitor Villa-Lobos.  II Simpósio Nacional Heitor Villa-Lobos: práticas, representações e intertextualidades; Rio de Janeiro, 2016.

PUPIA, Adailton Sérgio. Intertextualidade na Bachianas Brasileiras N. 2. Dissertação de Mestrado. Curitiba: Dep. De Artes e Música – Universidade Federal do Paraná, 2017.

SALABERRY, Nicolás Ramírez. Temática indígena nas obras de Heitor Villa-Lobos: Mandú-Çarará.  Dissertação de Mestrado. São Paulo: IA – Unesp, 2017.

SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Editora UNESP, 1991.

________. A afinação do mundo. São Paulo: UNESP, 2001.

SPECHT, Roberta. Heitor Villa-Lobos: Por uma narrativa musical da nação. Dissertação de Mestrado. Santa Maria: Depto de História, 2017.

VOLPE, Maria Alice. Villa-Lobos e o Imaginário Edênico de Uirapuru. Brasiliana, revista semestral da Academia Brasileira de Música, nº 29. Rio de Janeiro: ABMúsica, agosto de 2009.

ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção e leitura. São Paulo: Educ Ltda, 2000.

As paisagens de Villa-Lobos na teledramaturgia: semânticas recriadas e imaginário.

Raphael F. L. Farias

A partir da seleção de algumas obras da teledramaturgia brasileira, pensamos o compositor Villa-Lobos no âmbito de uma cultura midiática. Os usos de suas obras em cenas da televisão nacional, contribui para a construção de um imaginário e de uma memória (Lotman, 1988), atribuindo sentidos e criando situações dialógicas entre música e signos audiovisuais. Os exemplos são diversos: o Prelúdio da Bachiana nº 4, para cenas de melancolia, morte; a Ária, (Cantilena, da Bachiana nº 5 ); as partes corais masculinas da Floresta do Amazonas (Abertura; Caçadores de cabeças), conferem caráter lírico e/ ou épico; já O Trenzinho do Caipira (da Bachiana nº 2) remete ao ambiente rural e campestre. Tomaremos as aberturas da minissérie A Muralha (2000) da novela A lei do amor (2016); Hoje é dia de Maria (2005) para estudar a relação das obras de Villa-Lobos (em sua maioria, extra diegéticas) com a dramaturgia audiovisual. Uma vez que, unificadas, acabam por estabelecer novas relações semânticas, compondo, assim, a semântica da obra audiovisual, a partir dos seus elementos composicionais (andamento, intervalos melódicos, harmonia, etc.).

Palavras-chave: Cultura midiática. Teledramaturgia. Baitello: teoria do imaginário. Audiovisual.

Referências

BENJAMIN, W. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica. Porto Alegre: ZOUK, 2012

CHION, Michel. A audiovisão: som e imagem no cinema. Col. Mi.Me.Sis. Lisboa: Texto e Grafia, 2008.

LOTMAN, I. et al. Ensaios de semiótica soviética. Lisboa: Horizonte, 1988. SCHAFER, R. Murray. A Afinação do Mundo. São Paulo: Edunesp, 2011.

SCHAFER, Murray. A afinação do mundo. São Paulo: UNESP, 2001.

ZAMPRONHA, E. “Transferência: o que é, e o que oferece à música?” Revista Música Hodie, Goiânia, V.13 – n.1, 2013, p. 8-18. Disponível em < http://revistas.ufg.br/index.php/musica/article/view/25764/14802>. Acessado em 2 de novembro de 2018.

Heitor Villa-Lobos e o cinema brasileiro

Rafael Roso Righini

Heitor Villa-Lobos é considerado o maior símbolo da música erudita brasileira, reconhecido internacionalmente por suas obras musicais, por sua personalidade sonora inconfundível, por sua genialidade e também pelo seu gênio incomparável. Se de um lado, temos como símbolo nacional o Maestro Heitor Villa-Lobos, de outro, temos a telenovela brasileira, como o carro-chefe de toda a produção audiovisual realizada em nosso país e que é exportada para quase 200 países ao redor do mundo, apresentando aos quatro cantos do planeta, através de capítulos diários, a imagem  e o imaginário do Brasil e dos brasileiros: paisagens visuais e sonoras (Schafer, 2001) e costumes. Entretanto, nossa observação aponta para um profundo hiato entre esse repertório: a obra de Villa-Lobos não foi abundantemente utilizada no universo audiovisual, como trilha musical. Para além das opções estéticas do diretor, podem concorrer outros fatores que determinam a escolha de uma obra ou outra (desconhecimento, interesses comerciais, liberação de direitos autorais). Não obstante, o cinema soube se apropriar muito bem: observem-se, a exemplo, as obras Deus e o diabo na terra do sol e Terra em Transe Glauber Rocha). Nossa análise crítica se debruça sobre os procedimentos poéticos da criação cinematográfica nas obras de Glauber Rocha.

Palavras-chave: Cultura midiática. Música de cinema. Audiovisual.

Referências

CALZA, R. O que é telenovela. São Paulo: Brasiliense, 1996.

CASHMORE, E. …E a televisão se fez! São Paulo: Summus, 1998.

FERNANDES, I. Memória da telenovela brasileira. 4ed. Ampliada. São Paulo: Brasiliense, 1997.

GOMES, P.E.S. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra e Embrafilme, 1980.

MALCHER, M.A. A legitimação da telenovela e o gerenciamento de sua memória: o núcleo de pesquisa da telenovela ECA-USP. Dissertação (mestrado). ECA-USP. São Paulo, 2001.

MOLES, A.A. et al. Linguagem da cultura de massas: televisão e canção. Petrópolis: Vozes,

MOTTER, M.L. Ficção e realidade: a construção do cotidiano na telenovela. Tese (livre docência). São Paulo: ECA-USP-NPTN, 1999.

OLIVEIRA SOBRINHO, J.B.- In: Távola, A. A telenovela brasileira: história, análise e conteúdo.

RIGHINI, R. A trilha sonora da telenovela brasileira: da criação à finalização. Tese

SALINAS, F.J.G. Da “dupla dinâmica” som-imagem: uma aproximação teórica ao som da televisão. Dissertação (mestrado). USP. São Paulo, 1988.

SCHAFER, M. O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991.

SQUEFF, E.; WISNIK, J.M. O nacional e o popular na cultura brasileira: música. 2ed. São Paulo: Brasiliense, 1983.

TÁVOLA, A. A telenovela brasileira: história, análise e conteúdo. São Paulo: Globo, 1996.

TINHORÃO, J.R. Música popular e cinema. Petrópolis: Vozes, 1972.

Nozani-ná, do fonógrafo ao pentagrama

Yuri Behr

O elemento indígena é uma característica marcante na obra de Heitor Villa-Lobos, e recentemente têm recebido lugar de destaque nos estudos sobra a obra do compositor. A partir dos  conceitos de fronteira, de Y. Lotman, e movência, de P. Zumthor, iremos tratar de analisar de que maneira a melodia Nozani-na (recolhida da tradição dos índios Parecis) se desloca desde os cilindros de cera, recolhidos em campo por Roquette-Pinto, até as mídias digitais através de três obras de Villa-Lobos: Choro nº3, Rude Poema, e Chansons Brésiliennes.  Através desta leitura evidencia-se o fenômeno da alteridade frente ao  espaço de escrita da música europeia em relação a oralidade.

Palavras-chave: Movência; Fronteira; Fonograma; Transcrição; Composição.

Referências

ELIADE, M. O sagrado e o profano. Trad. Rogério Fernandes. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

KIRCHHOF, E. Yuri Lotman e semiótica da cultura. Prâksis -Revista do ICHLA p. 63-62

ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção e leitura. São Paulo: Educ Ltda, 2000.

WAIZBORT, L., Fonógrafo in Novos Estudos nº99, julho de 2014, p. 27-46.


Mesa 3 – Estruturas Narrativas em Villa-Lobos

Falar de estrutura nos dias atuais pode confundir mais do que esclarecer. A análise estrutural pode seguir inicialmente duas vertentes: descritiva ou teórica, podendo ser, na maioria das vezes, não descritiva e sim de caráter teórico, considerando que a obra será uma manifestação de uma estrutura abstrata. Já a narrativa, num contexto musical, como o sonoro, comunicação verbal e não verbal, imagens, emoções (através de códigos culturais), ou significação, assumem a construção de uma diegese. Desta forma, discutir estruturas narrativas em Villa-Lobos pode ser uma forma de trazer à tona estes elementos (intero-exteroceptivos/intra-extramusicais) como favores preponderantes do seu discurso. Portanto, esta mesa, proposta por integrantes do grupo de pesquisas PAMVILLA, propõe discutir pontos da organização villalobiana, expondo o pensamento composicional, significados conotativos, signatários e estruturais, de modo a contribuir com as discussões sobre suas construções narrativas com base no simbolismo, tópicas, semiótica e narratividade.


Cleisson Melo

Juliana Ripke

Paulo de Tarso Salles

A forma sonata como mediação do discurso narrativo em Villa-Lobos

Paulo de Tarso Salles

Uma faceta ainda pouco apreciada da produção villalobiana é sua música de caráter formal, em especial obras de recorte tradicional como suas sinfonias e quartetos de cordas. O juízo crítico formulado e sustentado há algum tempo afirma que se tratam de obras “menores”, onde o compositor tenta manipular elementos formais que lhe seriam inacessíveis, dada sua formação predominante como músico autodidata. No entanto, apesar de ter forjado seu estilo musical sem a supervisão constante de um conservatório, Villa-Lobos empreendeu um considerável esforço envolvendo a assimilação da construção formal em larga escala – baseando-se no estudo do Cours de Composition Musicale de Vincent D’Indy (1909) – cujos resultados podem ser vistos na sua produção camerística e sinfônica entre 1914 e 1920. Seguiu-se então a década de seus Choros, obras de características formais inspiradas na música popular brasileira e no modernismo de Stravinsky; até que em meados da década de 1930 Villa-Lobos retoma a composição de obras com recorte neoclássico, tendo modelos em Haydn e Beethoven. Ao invés de serem uma negação de sua vinculação com a música brasileira, essas obras fornecem um interessante suporte onde Villa-Lobos cria narrativas em que insere elementos ameríndios, caipiras, afro-brasileiros e outros tão caros à expressão da brasilidade, os quais dialogam com a tradição formalista europeia.

[1] Pedro Paulo Salles é pesquisador do Departamento de Música da ECA USP, dedicado à Educação Musical e à Etnomusicologia, sendo um dos autores do livro Villa-Lobos, um Compêndio: novos desafios interpretativos (Ed UFPR, 2017).

[2] Magda Pucci é antropóloga pela PUC- SP, doutoranda em Performance e Artes Criativas pela Universidade de Leiden – Holanda e intérprete e diretora musical do grupo Mawaca.

[3] Marlui Miranda é compositora e intérprete dedicada à pesquisa de cantos indígenas, doutoranda em Etnomusicologia no Programa de Pós-Graduação da ECA USP e diretora da Associação IHU Pro Música e Arte Indígenas.